Permanecer trabalhando exclusivamente no SUS (Sistema Único de Saúde) após o período de residência médica não é o objetivo da maioria dos profissionais de saúde. A competitividade salarial com o mercado privado e as condições de trabalho encontradas no setor público são os principais fatores que afastam os médicos residentes do SUS.
Os dados constam na Demografia Médica 2023, um estudo conduzido pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
“Menos de um quarto dos médicos [do país] trabalha exclusivamente no SUS, independentemente de serem especialistas ou não, ou de terem feito residência médica. Se pensar que cerca de 8% a 10% são médicos residentes, temos um percentual muito pequeno”, diz Mário Scheffer, professor livre-docente da FMUSP, coordenador do estudo.
Segundo o levantamento, 24,6% dos médicos residentes entrevistados, após o prazo de um ano de residência, afirmam trabalhar majoritariamente ou de maneira integral no SUS. Cinco anos depois, essa preferência cai para 12,1%.
O estudo ouviu 1.614 médicos residentes, com idade até 35 anos. As entrevistas foram feitas por telefone, com aplicação de um questionário com 32 perguntas.
De acordo com Scheffer, a residência médica é financiada em sua maior parte pelos ministérios da Saúde ou da Educação ou por governos estaduais. Cerca de 17% da residência é financiada por instituições ou hospitais com recursos próprios.
“A formação especializada ocorre toda ela no SUS, o financiamento são bolsas públicas pagas pelo governo. Mas, depois de formados, esses médicos se inserem num mercado de trabalho que não vai atender prioritariamente usuários do SUS”, declara Scheffer.
Fonte: Folha de São Paulo