
Familiares de pacientes do Hospital Getúlio Vargas (HGV), na Zona Oeste do Recife, denunciam superlotação e falta de assistência adequada na unidade de saúde. O Diario de Pernambuco ouviu relatos e recebeu imagens que mostram a situação no local.
Maria Santos* contou à equipe de reportagem que o pai dela, de 74 anos, está internado no HGV após sofrer uma queda no último dia 26 de junho.
“Ele é diabético, caiu de aproximadamente dois metros e teve três fraturas graves. Desde a internação, ele permanece em uma maca no corredor, aguardando cirurgia, sem se mover”, iniciou.
Segundo Maria, durante o período, o paciente desenvolveu escaras por permanecer imóvel e apresentou um quadro de alucinações. A familiar diz, ainda, que solicitou que isso fosse registrado em prontuário, mas que os funcionários negaram o registro.
O relato também destaca que os acompanhantes dos pacientes também são submetidos a condições insalubres.
“Além da demora para a cirurgia, a situação dentro do hospital é extremamente precária. Os corredores estão lotados de pacientes, há macas uma ao lado da outra sem espaço para circulação, os banheiros estão em condições de uso, e familiares convivem diariamente com a falta de estrutura e de informações”, detalhou Maria.
A família do paciente informou que procurou o serviço de assistência social do HGV em busca de auxílio e foi informada de que nenhum outro hospital aceitaria a transferência do paciente em razão da gravidade do quadro clínico.
“A assistente social nos orientou a procurar o Ministério Público para formalizar uma denúncia, pois, segundo ela, somente uma intervenção judicial poderia resolver o caso”, comenta Maria.
O Diario também conversou com Fábio Silva*. O tio dele está internado há 15 dias, aguardando um procedimento cirúrgico após quebrar o fêmur.
“Ele tem mais de 70 anos e está há mais de 15 dias numa maca do corredor sem conseguir se mover. Marcaram a cirurgia dele pro dia 5 de julho e, quando chegou no dia da cirurgia, cancelaram sem motivo”, diz Fábio.
Segundo ele, é comum que os procedimentos sejam marcados, porém, no suposto dia de realização, sejam adiados sem motivos explícitos.
“Eles dão esperança ao paciente de que a cirurgia será realizada e, no dia marcado, a cancelam. Quando perguntamos o motivo do cancelamento, o médico respondeu de forma ríspida que, se continuássemos questionando, registraria no prontuário que estávamos sendo agressivos”, relata.
O relato de Fábio reforçou a situação descrita por Maria. Segundo ele, o hospital está em situação de “abandono”.
“É tudo uma nojeira, banheiro imundo, cheio de fezes e sangue pelo chão. Um paciente morreu na nossa frente durante a madrugada e, mesmo informando as enfermeiras, o corpo dele só foi retirado pela manhã”, pontuou.
Vale lembrar que, no início de junho, a governadora Raquel Lyra entregou o novo bloco cirúrgico do Hospital Getúlio Vargas (HGV). Com investimento de R$ 11,06 milhões, a estrutura conta com oito salas cirúrgicas e capacidade para realizar até mil procedimentos por mês.
De acordo com a divulgação feita pelo Governo de Pernambuco na época da inauguração, com a entrega do novo bloco, o HGV reforçaria a assistência nas áreas de Cirurgia Geral, Cirurgia Vascular, Urologia, Ortopedia, Ortopedia Pediátrica e Cirurgia Bucomaxilofacial.
“O bloco foi projetado com maior tecnologia, o que otimiza a dinâmica cirúrgica, permitindo a realização de procedimentos mais complexos e com alta resolutividade”, informou o governo à época.