
O calendário eleitoral marca a contagem regressiva: um ano para as eleições de 2026. O cenário político já começa a tomar forma no Brasil e em Pernambuco. O pano de fundo da disputa pelo executivo nacional carrega uma polarização forte, enquanto no estado a disputa já tem tendências a se concentrar entre a atual governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB).
Na disputa presidencial, o debate segue sendo dividido entre governo e oposição. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem a vantagem atualmente, com uma aprovação crescente nas pesquisas, somado à ausência de uma liderança consolidada na direita, após a condenação do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) por liderar a trama golpista.
A avaliação é do cientista político Arthur Leandro, que lembra que a direita ainda não conseguiu emplacar um nome que apareça de forma competitiva nos levantamentos recentes. Para ele, sem uma liderança consolidada, a oposição segue fragmentada, o que pode facilitar a reeleição de Lula.
A cientista política Priscila Lapa destaca que a direita, apesar de ter sido majoritária no Legislativo em 2022, enfrenta dificuldades para repetir o mesmo desempenho no Executivo.
“Isso criou a falsa impressão de que agora venceria todas as eleições, em todos os níveis, seja quem fosse o candidato. Mas a realidade é mais complexa do que apenas esse olhar generalizante”.
“Hoje existe muita expectativa de poder e sempre que isso ocorre dentro de um grupo/tendência política, torna complexa a escolha de quem será o candidato que unirá as tendências e se tornará o representante de toda a direita. Substituir Bolsonaro nessa missão não é simples. O bolsonarismo é maior do que Bolsonaro, mas encontrar unicidade não é tão simples”, destaca Priscila.
Em Pernambuco, o cenário é diferente da última disputa para o governo, quando havia até cinco nomes competitivos. Para 2026, a tendência é de polarização entre Raquel Lyra e João Campos, que já se revela hoje em discursos e colocações dos dois lados. Leandro aponta que o prefeito do Recife larga com vantagem inicial nas pesquisas, mas ainda há espaço para mudanças, caso a governadora trabalhe no que o cientista político chama de “três eixos do tabuleiro”: entregas de governo, alianças locais (prefeitos e deputados com bases locais fortes), e rejeição.
“Raquel Lyra pode reequilibrar o jogo se acelerar entregas, unificar centro e direita e reduzir rejeição ao seu nome”, aponta.
Priscila Lapa também avalia que o desgaste do poder do PSB, que favoreceu Raquel em 2022, e o processo de renovação de lideranças, com candidatos fortes em suas cidades de origem, não se repete neste pleito.
Segundo a cientista política, o cenário atual mostra uma disputa mais concentrada em dois polos já consolidados, representados por João e Raquel, que reforçaram suas posições a partir das eleições municipais de 2024. “Não se poderá desprezar a conjuntura nacional como orientadora das decisões dos eleitores”, afirma.
Apesar de parecer que a vitória de João Campos seria “inevitável” na conjuntura atual de 2025, Priscila também ressalta que ainda existem fatores que, até o início propriamente dito da corrida eleitoral, podem tornar a disputa favorável à reeleição da governadora, “como o cronograma das entregas de obras estruturantes que estão em curso e o fortalecimento político da base nos municípios, com o numeroso grupo de prefeitos hoje aderentes à governadora”.
O especialista também destaca o impacto direto das eleições nacionais no eleitor pernambucano. Leandro lembra que o ‘tabuleiro nacional’ segue relevante com a possibilidade do presidente Lula manter o diálogo aberto com mais de uma disputa para o palanque de Pernambuco, enquanto a direita observa e negocia uma posição.
“Há riscos que podem embaralhar o jogo, crises de segurança, eventos climáticos, tropeços na gestão, e janelas de oportunidade, como inaugurações e parcerias federais. Em geral, João Campos preserva favoritismo, e busca expandir apoios no interior e defender bem as realizações à frente da prefeitura do Recife”, observa.
“No fim, deve se consagrar vitorioso quem mostrar resultado concreto, construir alianças estáveis e manter diálogo amplo até a campanha oficial”, conclui Leandro.