PRESSÃO ALTA E USO DO CELULAR: risco de HIPERTENSÃO é 12% maior em quem usa CELULAR por 30 minutos ou mais por semana, revela estudo

Sobrepeso, consumo excessivo de sal, sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool e estresse despontam entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento da pressão alta. Agora, mais uma condição desponta nessa lista: o uso do celular

Um estudo publicado este mês, na revista científica European Heart Journal – Digital Health, revela que falar ao celular por pelo menos 30 minutos por semana está associado a um aumento de 12% no risco de hipertensão, em comparação com pessoas que utilizam o aparelho por menos tempo. 

Essa descoberta traz à tona a importância de examinar a relação entre o uso do celular e a saúde cardiovascular. Com quase três quartos da população global possuindo um telefone celular, é crucial entender como esse dispositivo tão presente em nosso cotidiano pode estar relacionado a um risco aumentado de hipertensão“, diz o médico cardiologista Audes Feitosa, um dos coordenadores do Serviço de Hipertensão de Pernambuco (SHIP). 

Ele comenta que os celulares emitem baixos níveis de energia de radiofrequência, que podem estar associados ao aumento da pressão arterial após exposição de curto prazo, segundo os pesquisadores do estudo da European Heart Journal – Digital Health. 

Estudos anteriores investigaram essa associação, mas os resultados foram inconsistentes, possivelmente devido à inclusão de diferentes atividades no uso do celular, como mensagens de texto, jogos e vídeos. 

“Nesse novo estudo, os pesquisadores analisaram a associação entre a frequência do uso do telefone celular para fazer ou receber chamadas e o diagnóstico de hipertensão em uma amostra de 212.046 participantes do UK Biobank (grande estudo de biobanco de longo prazo no Reino Unido que investiga contribuições da predisposição genética e da exposição ambiental para o desenvolvimento de doenças)”, destaca Audes. 

Os resultados mostraram que o uso do celular por períodos mais longos aumentou o risco de hipertensão. Confira:

  • Risco de hipertensão foi de 8% para uso do celular por 30 a 59 minutos;
  • Risco de hipertensão foi 13% para uso do celular por 1 a 3 horas;
  • Risco de hipertensão foi de 16% para uso do celular por 4 a 6 horas;
  • Risco de hipertensão foi de 25% para uso do celular por mais de 6 horas, em comparação com menos de 5 minutos por semana.

Por outro lado, o uso do recurso de viva-voz não apresentou uma associação significativa com o diagnóstico de hipertensão.

“Os pesquisadores também destacaram que os participantes que utilizavam o celular por períodos mais longos e apresentavam um maior risco genético de hipertensão eram particularmente suscetíveis, com uma probabilidade 33% maior de desenvolver a doença”, salienta Audes Feitosa. 

“Além disso, a associação entre as chamadas telefônicas e o risco de hipertensão não foi afetada pelo sexo dos participantes, o que indica que essa relação é independente da idade e do sexo.”

Segundo o cardiologista Audes Feitosa, os mecanismos que explicam os achados do estudo que relaciona o uso do celular à hipertensão estão relacionados a fatores como o aumento da atividade simpática causado pelo movimento de segurar o telefone durante a chamada, o impacto negativo na saúde mental e nos padrões de sono, que podem levar a danos vasculares, e os possíveis efeitos nocivos dos campos eletromagnéticos de radiofrequência emitidos pelos telefones móveis.

Fonte: JC

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