A recusa de um hospital a uma mulher que desejava colocar um dispositivo intrauterino (DIU) como método contraceptivo tem gerado debate na rede social X (antigo Twitter). Em uma publicação feita na última terça-feira, a paciente contou que, durante uma consulta no Hospital São Camilo, em São Paulo, ouviu a negativa da médica, sob a alegação de que o procedimento seria “contra os valores religiosos da instituição” na qual trabalha. Ao EXTRA, a rede confirmou que, “por ser uma instituição confessional católica” não realiza procedimentos contraceptivos, em homens ou mulheres, exceto em casos que envolvam riscos à manutenção da vida. Mas, mesmo entre advogados ouvidos pela reportagem, a decisão é polêmica.
“Vocês acham que é fácil ser mulher?”, questionou Leonor Macedo na postagem, que acumula mais de 30 mil interações, antes de compartilhar a frustração sentida durante consulta médica no Hospital São Camilo. Em comentários recebidos, muitas outras mulheres se indignaram. Uma chegou a ironizar a situação, expondo uma expectativa com a frase “Em 2024, teremos carros voadores” e comparando à realidade reforçada em “2024: não pode contracepção”.
Colocado dentro do útero, o DIU é um dispositivo que evita a fecundação de óvulos por espermatozoides. E é considerado um dos métodos contraceptivos mais seguros atualmente, podendo também ser retirado a qualquer momento.
Na publicação de Leonor, muitos internautas também se perguntaram se um hospital ou um médico pode ou não se recusar a realizar o procedimento. Mas a resposta não é tão simples.
Mesmo entre comissões da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) São Paulo, não há acordo.
Fonte: EXTRA Economia