
O deputado federal Pedro Campos (PSB-PE), um dos 19 deputados pernambucanos a votar a favor da PEC da Blindagem na Câmara dos Deputados, publicou vídeo nesta quinta-feira (18), justificando seu voto, após ser alvo de críticas nas redes sociais. De acordo com Pedro, que é líder da bancada do PSB na Câmara, o voto favorável foi resultado de uma “tentativa de manter abertas pontes” para derrubar a anistia e manter as pautas do governo em votação na Casa.
“Eu, junto com a maioria, votamos a favor, numa tentativa de manter abertas pontes para que fosse derrubada a anistia e que a pauta do governo e a pauta do povo brasileiro avançasse aqui nessa casa”, afirmou.
Pedro enfatizou que as críticas recebidas foram “legítimas” e destacou “compromisso com o povo brasileiro”.
Quero reforçar que todas as críticas que eu recebi são legítimas, até porque o meu compromisso é com o povo brasileiro. E é assim que a gente tem conduzido o nosso mandato”, disse.
Pedro Campos diz que voto favorável surgiu a partir de estratégia para barrar anistia
Pedro destacou que “sempre existiu o risco” de que o projeto “aumentasse a presença de bandidos” na Câmara e que a PEC tinha várias versões diferentes, além de apontar que já havia uma aliança entre o Centrão e o PL, pelo avanço da anistia.
Consequentemente, ainda de acordo com Pedro, duas posições estavam postas para ele e outros parlamentares do campo progressista.
“Uma era dizer que não aceitávamos discutir nenhum texto dessa PEC e arriscar que a anistia passasse e, além disso, esse acordo boicotasse as pautas importantes do governo, como a tarifa social de energia e o imposto de renda. A segunda posição era discutir o texto da PEC, tentar tirar os maiores absurdos que ali estavam contidos e buscar um caminho para barrar a anistia e fazer avançar as pautas populares que estão aqui no Congresso”, afirmou.
O caminho escolhido pelo campo progressista, segundo Pedro, foi o de “retirar absurdos da PEC” e que, naquele momento, havia caminho para derrotar a anistia.
Pedro ressaltou que votou pela derrubada do voto secreto no texto e contra o foro privilegiado para presidentes nacionais de partidos.
“A votação da PEC foi iniciada com essa discussão ainda em andamento. Por isso, como líder da bancada ouvindo os parlamentares, decidimos votar pelo adiamento da discussão, para ganhar tempo, e também contra o voto secreto e contra o foro privilegiado para presidente nacional de partido”, disse.
No entanto, Pedro reconheceu que a estratégia utilizada não foi suficiente. Além da aprovação da PEC da Blindagem com o voto secreto, a Câmara também aprovou a urgência para votar o projeto da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Com isso, o texto não passará pelas comissões e será votado diretamente em Plenário.
“Nós sabemos o que aconteceu depois. A PEC passou do jeito que nós não queríamos, inclusive com a manobra para voltar o voto secreto que nós já tínhamos derrubado em votação. Por isso, tenho a humildade de reconhecer que não escolhemos o melhor caminho e saímos derrotados, na votação da PEC e na votação da anistia”, lamentou.
Pedro afirma que vai ao STF pedir a anulação da votação sobre voto secreto no texto da PEC da Blindagem
Ainda no vídeo, Pedro afirmou que entrará com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF), para pedir a anulação da votação e da manobra que aprovou a volta do voto secreto no texto da PEC da Blindagem.
“E pela forma como foi conduzida a manobra na PEC e a votação da anistia eu estou entrando com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal para que anule a votação e a manobra que foi feita para a volta do voto secreto”, disse.
Além de Pedro, outros líderes recorreram ao STF contra a PEC, como o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ). Ao anunciar, em Plenário, que entraria com mandado de segurança na Suprema Corte, Lindbergh foi ironizado por Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara.
“É um direito de Vossa Excelência ir ao Supremo, como Vossa Excelência faz quase que diariamente”, disse Motta.