
Em meio à crise que afeta a rede de diálise e ao aumento da fila de transplantes renais no País, o governo federal abriu consulta pública para avaliar a incorporação da finerenona, um novo medicamento indicado para pacientes com doença renal crônica (DRC) associada ao diabetes tipo 2, ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A proposta está sendo analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), e o objetivo é colher contribuições de médicos, pesquisadores, pacientes e da sociedade civil até o dia 11 de novembro.
Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), mais de 150 mil brasileiros dependem de diálise atualmente. Muitas clínicas enfrentam dificuldades financeiras devido à defasagem nos repasses públicos, o que ameaça o atendimento e o acompanhamento de pacientes renais.
O diabetes é uma das principais causas da DRC no Brasil. Estima-se que 16,8 milhões de brasileiros vivam com a doença, número que pode chegar a 23,2 milhões até 2045, segundo a International Diabetes Federation. De 20% a 40% desses pacientes podem desenvolver doença renal ao longo da vida.
Nos estágios iniciais, a DRC costuma ser silenciosa. Mas, com o avanço, podem surgir sintomas como inchaço, cansaço, pressão alta persistente e alterações na urina. Sem tratamento adequado, há risco de progressão para insuficiência renal, exigindo diálise ou transplante.
Para o pesquisador, o futuro da saúde renal depende de três pilares: diagnóstico precoce, acesso equitativo a terapias modernas e cuidado integrado.
“Já há medicamentos que realmente reduzem o risco de progressão da doença e complicações no coração. O desafio é garantir que eles cheguem a todos os pacientes, e não apenas a quem pode pagar”, conclui Pecoits Filho.