Proposta do governo pretende redução de limites para 30 km/h nas ruas e 80 km/h nas rodovias

Créditos: depositphotos.com / bensib

A Senatran está conduzindo uma consulta pública para revisar o Guia de Gestão de Velocidades, propondo recomendações técnicas para cidades e estados ajustarem os limites de velocidade conforme o uso das vias. O objetivo é proteger usuários vulneráveis, como pedestres, ciclistas e motociclistas, diante do aumento de acidentes fatais, como os mais de 450 registrados no Espírito Santo em apenas 6 meses de 2025.

Por que reduzir a velocidade urbana pode salvar vidas?

Reduzir o limite de velocidade não impacta significativamente o tempo de viagem em áreas urbanas, segundo diversos estudos. Isso ocorre porque semáforos, faixas de pedestres e cruzamentos já limitam a velocidade média.

Além disso, a chance de sobrevivência de um pedestre atropelado cai drasticamente em velocidades acima de 50 km/h, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Por isso, diversas cidades no Brasil e no exterior estão repensando seus limites como forma de preservar vidas.

Quais são os limites recomendados no novo guia?

Senatran sugere limites ajustados conforme o tipo e o uso da via. Veja abaixo a divisão proposta:

  • 30 km/h para ruas locais e regiões com alto fluxo de pedestres.
  • 40 a 50 km/h em avenidas com tráfego moderado e infraestrutura adequada.
  • 60 a 80 km/h para vias de trânsito mais fluido, com menor risco de interação com pedestres.
  • Acima de 80 km/h apenas em vias segregadas com alto padrão de segurança.

Essas recomendações visam padronizar práticas sem impor regras, respeitando a autonomia de cada ente federativo.

Por que o guia da Senatran não é obrigatório?

As orientações são de caráter técnico, funcionando como apoio para gestores municipais e estaduais. O Código de Trânsito Brasileiro estabelece que cabe a cada autoridade de trânsito definir os limites locais, com base em estudos e sinalização adequada.

Na ausência de placas, o CTB determina os seguintes limites padrão:

  • 80 km/h em vias de trânsito rápido
  • 60 km/h em vias arteriais
  • 40 km/h em vias coletoras
  • 30 km/h em vias locais

Portanto, o guia atua como uma ferramenta de padronização técnica, mas sem força de lei.

Como aumentar a conscientização sobre limites de velocidade?

Segundo especialistas em segurança viária, apenas a sinalização não basta. A mudança de comportamento depende de campanhas educativas contínuas, fiscalização eficaz e envolvimento da comunidade.

Experiências em cidades como Paris e Amsterdã mostram que a redução da velocidade, aliada à conscientização, pode diminuir drasticamente o número de acidentes e tornar o trânsito mais humano e eficiente.
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