Projeto em discussão no Senado prevê suspensão do aborto para menores vítimas de violência sexual

Projeto em discussão no Senado prevê suspensão do aborto para menores vítimas de violência sexual

Comissão de Direitos Humanos do Senado deve analisar nesta terça-feira (2/6) um projeto que pode suspender normas voltadas ao atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, incluindo diretrizes relacionadas ao aborto legal.

O que está sendo analisado pelo Senado?

Os senadores vão discutir um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) aprovado pela Câmara dos Deputados em novembro de 2025. A proposta busca derrubar uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).

A norma estabelece protocolos específicos para o atendimento de menores vítimas de estupro, envolvendo assistência médica, acolhimento e medidas de proteção. O texto também trata do acesso ao aborto previsto em lei.

Como funciona a regra atual para vítimas de estupro?

A resolução do Conanda garante que crianças e adolescentes vítimas de violência sexual possam decidir sobre a interrupção legal da gravidez, sem a necessidade de autorização prévia dos pais ou responsáveis. A medida segue a legislação brasileira, que permite o aborto em situações específicas. Entre os casos previstos atualmente estão:

  • Gravidez resultante de estupro
  • Risco à vida da gestante
  • Fetos diagnosticados com anencefalia

Quais são as críticas feitas pelos parlamentares?

Um dos principais questionamentos envolve a ausência de um limite de idade gestacional para a realização do aborto legal. Parlamentares afirmam que a resolução deixa lacunas sobre esse ponto.

Outra crítica é relacionada à participação dos pais ou responsáveis. Para os defensores do projeto, a norma reduz a autonomia familiar em decisões ligadas ao atendimento de saúde das crianças e adolescentes.

O que diz a relatora Damares Alves?

A relatora do projeto na Comissão de Direitos Humanos, Damares Alves, defende a suspensão da resolução. Segundo ela, a proteção das vítimas não deve ocorrer em oposição aos direitos do nascituro.

senadora argumenta que tanto a criança vítima de violência quanto o feto estão em situação de vulnerabilidade e, por isso, merecem proteção jurídica e constitucional dentro da legislação brasileira.

A disputa já passou pela Justiça Federal

Em 2024, Damares Alves conseguiu uma decisão liminar que suspendeu temporariamente a resolução do Conanda. No entanto, a medida foi posteriormente revertida pela Justiça Federal.

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