Padilha: SUS testa 80 ferramentas de IA para ampliar acesso e humanizar atendimento

"Testamos, no ministério, 80 ferramentas de IA para gestão de fila, gestão de diagnóstico, redução de fila, apoio a diagnóstico, vigilância, cruzamento dos dados de clima e saúde", disse Alexandre Padilha

A tecnologia pode ser uma aliada da humanização na saúde pública. Essa é a visão defendida pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para quem ferramentas como inteligência artificial e telessaúde podem ampliar o acesso, aproximar o paciente e melhorar a prestação de serviços no Sistema Único de Saúde (SUS).

Em palestra na manhã desta quinta-feira (3), durante o MV Experience Forum, em São Paulo, Padilha apresentou as frentes em que o governo aposta para avançar nessa transformação: adaptar a regulação às novas tecnologias, testar soluções de inteligência artificial no SUS, fortalecer a indústria nacional e ampliar o uso da telessaúde para atender populações que enfrentam barreiras de acesso.

Regulação ainda precisa acompanhar a tecnologia

A tecnologia avança mais rápido do que as regras que organizam os serviços de saúde. Hospitais já trabalham com fluxos digitais, mas ainda precisam, em muitos casos, seguir normas criadas para uma realidade em que os serviços dependiam da presença física de profissionais e documentos.

Para enfrentar esse descompasso, Padilha citou uma iniciativa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): a criação de um sandbox regulatório em parceria com agências reguladoras da China, Índia e Coreia do Sul. A proposta é criar um ambiente controlado para testar e validar novos modelos de funcionamento dos serviços de saúde.

“A reorganização dos serviços também passa por uma adequação regulatória desses novos serviços. É isso que a Anvisa está fazendo com esse sandbox regulatório em parceria com países que já estão vivendo essa transformação, o que vai significar muitas vezes uma efetividade muito maior na gestão de recursos humanos, na instalação dos serviços, na construção dos serviços.”

Um dos exemplos citados pelo ministro é o funcionamento dos laboratórios de anatomia patológica. Hoje, a presença física permanente do médico anatomopatologista é exigida em determinadas estruturas hospitalares, embora esses profissionais sejam escassos em várias regiões do País.

Com a telessaúde e a existência de centros de diagnóstico capazes de receber lâminas escaneadas digitalmente em tempo real, o diagnóstico pode ser feito a distância. A proposta do sandbox é adaptar as regras para reconhecer e permitir esses novos modelos de atendimento.

Inteligência artificial em teste no SUS

A inteligência artificial também deixou de ser apenas uma promessa no sistema público de saúde. Segundo Padilha, o Ministério da Saúde coordena testes com 80 ferramentas de inteligência artificial em todo o País.

As aplicações estão voltadas para diferentes frentes da operação do SUS. Entre elas, estão a identificação de registros duplicados e a organização das filas de regulação para priorizar casos mais graves; o cruzamento de dados de clima e saúde para antecipar surtos e planejar a distribuição de insumos; e modelos preditivos para apoiar médicos na tomada de decisão.

Padilha citou ainda o uso da IA no diagnóstico de câncer. Segundo ele, em hospitais privados avançados, um processo que levava duas semanas pode cair para dois dias com o apoio da tecnologia, que faz uma espécie de triagem para o anatomopatologista mais experiente.

“O uso da inteligência artificial, que já é uma realidade, está se desenvolvendo, é um campo ainda maior de inovação que eu acho que vai crescer cada vez mais no nosso País”, disse. “A IA vem reduzindo, por exemplo, um diagnóstico de câncer que demorava duas semanas nos maiores hospitais privados. Isso cai para dois dias pela rapidez, da capacidade de ajudar a fazer uma espécie de triagem para o anatomopatologista mais experimentado.”

Compartilhe:

Deixe um comentário