
Uma investigação da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) que apura um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo, ao menos, três vereadores de Ipojuca, cidade do Grande Recife, levou à terceira fase da Operação Alvitre, deflagrada nesta quinta-feira (3). Os parlamentares são suspeitos de desviar dinheiro público a partir da destinação de emendas parlamentares a ONGs que faziam a triangulação dos valores. A estimativa é de que mais de R$ 27 milhões tenham sido movimentados indevidamente.
Ao total, 13 mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta fase da operação, inclusive, no prédio da Câmara de Vereadores de Ipojuca, onde, de acordo com a Polícia Civil, foi apreendida uma vasta documentação para subsidiar as investigações.
Entre os suspeitos estão o presidente e vice-presidente da Câmara de Ipojuca, Irmão Genival (PP) e Gilmar Costa (Republicanos), além do ex-presidente Flávio do Cartório (PSD), que chegou a ser preso na segunda fase da operação, em 2025, com o então vice-presidente Professor Eduardo (PSD), em um supermercado em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, com alta quantia de dinheiro em espécie.
Nesta fase da operação, apenas o vereador Gilmar Costa, vice-presidente da Câmara, foi alvo dos mandados, incluindo a suspensão do mandato. A Justiça também pediu o bloqueio de R$ 1,22 milhão.

Em janeiro, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) concedeu prisão domiciliar a Flávio do Cartório, que mantém as atividades de vereador de Ipojuca, porém, não mais como integrante da mesa diretora. O vereador Professor Eduardo (PSD) foi solto pela Justiça no mesmo dia. De acordo com a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), ele não é mais investigado.
A polícia aponta que os crimes continuaram mesmo após as duas fases anteriores da operação. Além dos vereadores, o esquema teria a participação de um chefe de gabinete, uma funcionária fantasma (que sozinha movimentou R$ 16,7 milhões em cerca de 2 anos), dois advogados, um empresário, uma contadora e três empresas.
O delegado Ney Luiz, titular da 1ª Delegacia de Polícia de Repressão ao Narcotráfico (1ª DPRN), conta que os desdobramentos da operação foram motivados após o assassinato da professora Simone Marques, de 46 anos, suspeita de participação nos crimes.
“Nesse contexto de apuração do desvio de verbas parlamentares, a gente acabou intimando a professora para depor na delegacia e logo após a saída da delegacia, ela acabou sendo morta. Em razão disso, a gente aprofundou as investigações e acabou descobrindo que ela era presidente de uma associação que também participava desses crimes criminosos. A Associação MUDART recebeu valores milionários e desviou parte desses recursos, que na verdade, foram desviados para ela, para advogados e possivelmente para parlamentares, que destinaram esses valores através de mídia para essa associação”, detalhou.
Entre 2017 e 2024, a associação recebeu, em emendas parlamentares destinadas pela Câmara de Ipojuca, cerca de R$ 1,23 milhão. Desse total, R$ 480 mil a partir de 2023, quando a professora Simone Marques assumiu a presidência da ONG. Ainda durante as investigações, a polícia identificou, na prestação de contas da associação, que algumas notas fiscais faziam referência a um restaurante em Paulista.
“A funcionária afirmou desconhecer qualquer serviço para essa associação em Ipojuca. Chamamos a contadora que foi a responsável pela menção das notas e ela acabou confessando que, a pedido de Simone, ela emitiu essas notas fiscais falsas e recebeu em troca de serviço determinado valor. Essa associação, aparentemente, já não existe mais, em razão da morte da própria presidente, que no caso é a Simone. Mas a gente investiga outras associações”, disse o delegado.
Operação
A operação contou com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de Pernambuco (GAECO/MPPE), além do Grupamento Tático Aéreo da Secretaria de Defesa Social (GTA/SDS-PE). Os investigados devem responder pelos crimes de corrupção passiva, peculato, falsidade documental e lavagem de dinheiro.

