
O delegado Diogo Gonçalves Bem, da Polícia Civil de Pernambuco, é suspeito de financiar um esquema de fraude para beneficiar a esposa no Concurso Nacional Unificado (CNU) realizado em 2024. Alvo de operação da Polícia Federal na semana passada, o profissional da segurança pública também terá a conduta analisada em investigação da Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS).
A operação Concorrência Simulada foi deflagrada a pedido do Ministério Público Federal (MPF), como desdobramento de outra realizada em outubro de 2025. A ação investiga a atuação de uma organização criminosa especializada em fraudes em concursos públicos no País, com núcleo operacional no município de Patos, na Paraíba.
“As apurações indicam que o grupo atuava de forma estruturada na fraude de concursos de alta concorrência, com destaque para o CNU de 2024, no cargo de auditor-fiscal do Trabalho. O esquema teria como base a obtenção antecipada de provas e o repasse de conteúdos a candidatos, entre outras práticas ilícitas”, informou o MPF.
O delegado-geral de Alagoas, Gustavo Xavier, foi citado em colaboração premiada por outro investigado no esquema. Segundo o relato, Xavier teria poder de comando na organização. Segundo reportagem do UOL, a investigação aponta que ele teria determinado fraudes para aprovar a esposa no CNU e o irmão dele, aprovado em concursos do Banco do Brasil e da Prefeitura de Arapiraca.
Gustavo também foi alvo de cumprimento de mandado de busca e apreensão.
Já em relação ao delegado Diogo Gonçalves Bem, a PF aponta indícios de que teria pago para beneficiar a esposa. Lariça Saraiva Alencar foi aprovada em 1º lugar na primeira fase da seleção para o cargo de auditor-fiscal do trabalho. Mas, na segunda fase, tirou nota baixa, chamando a atenção dos investigadores, que acreditam que ela não teve auxílio nessa outra etapa.
Na decisão sobre os pedidos formulados pela Polícia Federal em relação aos investigados, porém, o juiz Manuel Vasconcelos Neto pontuou que “não há indicação, tanto na representação do delegado da Polícia Federal quanto na peça do MP, de uma única informação mais detalhada sobre esse ‘financiamento’. Sequer há elementos que viabilizem aprofundamento das investigações quanto a Diogo Gonçalves, pelo menos neste momento”.
Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e 2 de prisão preventiva nos estados da Paraíba, de Pernambuco e de Alagoas.
Os investigados podem responder pelos crimes de fraude em certame de interesse público, participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsificação de documento público.
CORREGEDORIA APURA
A Corregedoria Geral da SDS confirmou que iniciou uma investigação preliminar, “por meio da qual as informações estão sendo verificadas, assim como estão sendo coletados os subsídios necessários à análise e aferição de eventuais condutas irregulares do servidor”.
“O procedimento segue em trâmite no Órgão Correcional”, pontuou a nota.