
Os Correios prorrogaram por mais um ano a validade do concurso público que oferece 3,5 mil vagas, além da formação de cadastro de reserva para cargos de níveis médio e superior. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (19).
Com a medida, o certame passa a valer até 14 de abril de 2027. Na prática, os candidatos aprovados poderão ser convocados até essa data, embora a estatal ainda não tenha iniciado as chamadas.
O resultado final do concurso foi homologado em abril de 2025. Ao todo, mais de 1 milhão de candidatos participaram das provas, realizadas em 2024 — a maior seleção promovida pela empresa nos últimos 13 anos.
São ofertadas 3.511 vagas imediatas, sendo 3.099 para o cargo de carteiro (agente de Correios), com salário inicial de R$ 2.429,26, e 412 para analista de Correios, de nível superior, com remuneração inicial de R$ 6.872,48.
A função de analista contempla diferentes áreas de atuação, como Direito, Tecnologia da Informação, Arquitetura, Serviço Social e Engenharia. As oportunidades estão distribuídas entre as 28 superintendências estaduais da empresa.
Do total de vagas, 30% são reservadas para candidatos negros (pretos e pardos) e indígenas, enquanto 10% são destinadas a pessoas com deficiência.
Além dos salários, os aprovados contam com benefícios que complementam a renda, como vale-alimentação ou refeição, vale-transporte, plano de saúde, auxílio-creche, reembolso para dependentes com necessidades especiais, além de adicionais por atividades externas, trabalho aos fins de semana e gratificação para funções específicas.
As vagas estão distribuídas em diversas cidades do país, e a concorrência ocorre por localidade escolhida no momento da inscrição. No caso do cargo de carteiro, a divisão foi feita por macrorregiões, que agrupam diferentes municípios sob uma mesma referência regional.
A demora no início das convocações está relacionada ao cenário financeiro enfrentado pelos Correios. Segundo dados do Tesouro Nacional divulgados em fevereiro, a estatal pode registrar um déficit de R$ 9,1 bilhões em 2026.
A empresa também acumula atrasos em pagamentos que somam cerca de R$ 3,7 bilhões, incluindo débitos com fornecedores, tributos e obrigações com funcionários, como repasses ao fundo de pensão Postalis e ao plano de saúde Postal Saúde.
Nos últimos meses, o endividamento da estatal avançou, com aumento de compromissos como contribuições ao INSS patronal e tributos federais, a exemplo de PIS e Cofins.
Diante desse quadro, os Correios vêm adotando medidas de contenção de despesas, como a implementação de um Plano de Desligamento Voluntário (PDV), que pode atingir até 10 mil funcionários ao longo deste ano.