Vacina contra HPV pode proteger homens contra pelo menos 3 tipos câncer

Estudo sugere que vacina contra HPV pode proteger homens contra 3 tipos câncer

Meninos que recebem a vacina contra o HPV podem reduzir em quase metade o risco de desenvolver câncer, sugere um novo estudo importante, publicado na revista científica JAMA Oncology. Pesquisadores descobriram que homens que receberam a versão mais recente da vacina, que protege contra nove subtipos, apresentaram uma probabilidade significativamente menor de desenvolver tumores associados ao vírus, incluindo câncer de cabeça, pescoço e pênis.

O papilomavírus humano, ou HPV, é um vírus extremamente comum transmitido pelo contato pele a pele. Embora muitas vezes inofensivo, ele pode levar a doenças graves e é conhecido por causar diversos tipos de câncer, incluindo aqueles que afetam a cabeça e o pescoço, o ânus e o pênis, além do câncer do colo do útero em mulheres.

Até agora, a maior parte das evidências que demonstram a prevenção do câncer pela vacina se concentrava em mulheres, particularmente em relação ao câncer do colo do útero. Em homens, a maior parte das pesquisas anteriores analisava se a vacina reduzia as taxas de infecção, e não se prevenia o câncer em si.

O novo estudo analisou registros de saúde de mais de três milhões de jovens e comparou diretamente homens vacinados e não vacinados, tornando as descobertas mais robustas e oferecendo algumas das evidências mais claras até o momento de que a vacina pode proteger os homens do câncer.

Os resultados mostraram que homens que entre os homens de 9 a 26 anos, aqueles que receberam a vacina HPV nonavalente apresentaram menor risco de um conjunto de cânceres relacionados ao HPV, incluindo câncer de cabeça e pescoço, pênis, esôfago e ânus, em comparação com aqueles que não foram vacinados.

Em geral, a redução no risco de cânceres relacionados ao HPV foi de 46%. O efeito protetor foi observado tanto em adolescentes quanto em adultos jovens.

Vacina contra a gripe reduz em até 20% o risco de morte e internações em pessoas que tiveram AVC

O estudo foi publicado na revista científica International Journal of Stroke

Uma estratégia de vacinação contra a gripe com duas doses aplicadas ainda durante a internação hospitalar em pacientes que tiveram um Acidente Vascular Cerebral (AVC) pode reduzir em até 20% o risco de morte e novas hospitalizações por complicações cardiovasculares ou cardiorrespiratórias.

É o que aponta um novo estudo conduzido pelo Einstein Hospital Israelita no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). A iniciativa é uma parceria do Ministério da Saúde com hospitais filantrópicos de referência para o desenvolvimento de capacitação e gestão, pesquisas e projetos de assistência no SUS.

O estudo foi publicado na revista científica International Journal of Stroke. Para Henrique Fonseca, líder do Núcleo de Estudos Clínicos em Imunologia e Vacinas da Academic Research Organization (ARO), do Einstein, e autor sênior da publicação, os resultados revelam como uma tática simples pode ter um impacto relevante para proteger pacientes considerados de alto risco.

— Esse estudo reforça a importância de alcançarmos aqueles pacientes que consideramos de alto risco com a vacina. Aqueles com histórico de AVC, de infarto, de diabetes, de doença cardíaca preexistente. A vacina reduz os agravos do vírus Influenza, e temos observado que esses pacientes se beneficiam ainda mais pela imunização. Nosso estudo reforça essa recomendação.

Segundo a Sociedade Brasileira de AVC, o derrame é a segunda doença que mais mata os brasileiros e a principal causa de incapacidade no mundo. Aproximadamente 70% das pessoas não retornam ao trabalho após um AVC devido às suas sequelas, e 50% ficam dependentes de outras pessoas no dia a dia.

Já a gripe, infecção causada pelo vírus Influenza, pode provocar um processo inflamatório que estimula a formação de coágulos, aumentando o risco de eventos cardiovasculares. O risco é ainda maior para pacientes que já tiveram um problema cardíaco anterior, caso de um AVC.

No novo estudo, 1.801 voluntários foram acompanhados nas regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste entre 2019 e 2022. Os indivíduos estavam internados com decorrência da síndrome coronariana aguda, quando há redução do fluxo sanguíneo para o coração, podendo resultar em um ataque cardíaco. O objetivo inicial era identificar a segurança de vacinar contra a gripe ainda na fase hospitalar e saber se essa aplicação poderia gerar algum efeito protetor.

A estratégia de imunização se mostrou segura. Além disso, ao avaliar 67 pacientes que tinham um histórico de AVC, os pesquisadores observaram que aqueles que receberam duas aplicações da vacina ainda no hospital tiveram menos mortes e novas hospitalizações quando comparados aos pacientes que receberam apenas uma dose padrão em cerca de 30 dias depois.

Todos foram acompanhados por 12 meses após a aplicação. Já entre aqueles que não tinham histórico de AVC, não houve diferença significativa entre as duas estratégias. Os resultados estão alinhados com um outro estudo publicado nesta semana na revista científica Eurosurveillance que acompanhou dados de 1.221 adultos com 40 anos ou mais na Dinamarca.

Butantan produzirá remédio contra câncer para o SUS

Instituto Butantan / Rovena Rosa/Agência Brasil

Instituto Butantan e a farmacêutica norte-americana MSD firmaram uma parceria para que o laboratório público brasileiro passe a produzir medicamento avançado contra o câncer a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O acordo é resultado de um edital lançado em 2024 pelo Ministério da Saúde.

O pembrolizumabe é uma terapia que estimula o sistema imunológico para identificar e combater as células cancerígenas. Além disso, é uma alternativa de tratamento menos tóxica do que a quimioterapia tradicional, e tem demonstrado grande eficácia.

O remédio já vem sendo comprado pelo Ministério de Saúde, diretamente da MSD, e é usado no SUS, para o tratamento de alguns pacientes com melanoma metastático, tipo de câncer de pele agressivo e que se espalha para outros órgãos.

De acordo com a Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri, aproximadamente 1,7 mil pessoas são atendidas por ano, a um custo de R$ 400 milhões.

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (SUS) vai avaliar a inclusão no tratamento de casos de câncer de colo do útero, esôfago, mama triplo-negativo e pulmão. A MDS calcula que isso aumente a demanda para cerca de 13 mil pacientes por ano.

Fernanda de Negri explica que um dos benefícios da parceria é a possibilidade de diminuição de custos, pois o contrato prevê a transferência gradual de tecnologia, para que, em alguns anos, o Butantan possa assumir a produção do medicamento. Outros benefícios são a prioridade no fornecimento e o desenvolvimento tecnológico.

“O objeto dessa parceria é uma molécula nova, e o Butantan vai desenvolver a capacidade de produzir esta molécula e acima de tudo desenvolver a competência para produzir outras moléculas similares no futuro.”

Segundo ela, a produção nacional deixa o paciente mais seguro. “A gente produzir aqui deixa o paciente brasileiro com mais garantias de que esse medicamento não vai faltar por conta de eventos externos que causem a interrupção de cadeias logísticas.”

Concorrência
A parceria é resultado de edital com o objetivo de promover a cooperação entre entidades privadas, públicas e científicas com o objetivo de desenvolver ou absorver tecnologias que favorecem o SUS. O edital faz parte de uma estratégia nacional que pretende nacionalizar a produção de 70% dos insumos de saúde utilizados no SUS, em até 10 anos.

O diretor executivo de Relações Governamentais da MSD Brasil, Rodrigo cruz, explica que o processo de transferência de tecnologia do pembrolizumabe para o Butantan vai começar assim que as novas inclusões do medicamento no SUS forem aprovadas. A incorporação das etapas de produção será feita gradualmente ao longo de dez anos.

“No começo, a é que eles aprendam como se faz a rotulagem, o envase, para depois passar para formulação e aí sim chegar à etapa final que é a produção do medicamento em si. Todas as etapas estão previstas dentro do projeto. Leva até oito anos para produzir o Ifa [ingrediente farmacêutico ativo] nacional e, a partir daí, finalizar o remédio 100% nacional.”

O anúncio da parceria foi feito durante o evento Diálogo Internacional – Desafios e Oportunidades para a Cooperação em Tecnologias em Saúde, realizado no Rio de Janeiro. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou da abertura de maneira remota, e ressaltou a importância das parcerias para o desenvolvimento do país.

“Não tem como enfrentar esses desafios sem forte cooperação internacional. A saúde deixou de ser apenas uma política social e passou também a ser um eixo central do desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e geração de empregos qualificados.”

O ministro destacou ainda a cadeia estrutural do sistema público de saúde brasileiro. “O SUS não é apenas o maior sistema público universal do mundo, mas também um dos maiores mercados estruturados do planeta em escala, previsibilidade, demanda e capacidade de absorção tecnológica.”

Câncer de pele pode chegar a 263 mil novos casos até 2028; saiba como identificar

Câncer de pele é considerada uma doença silenciosa

O câncer de pele é um crescimento descontrolado das células da pele, frequentemente causado pela exposição excessiva a raios ultravioletas. No Brasil, a doença corresponde a 33% dos diagnósticos de câncer, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer.

Na prática, essas células que crescem ‘desordenadas’ se dispõem formando camadas, e podem variar para diferentes tipos de câncer de pele.

Apesar de ser comum, o câncer de pele ainda é considerada uma doença silenciosa, com sintomas discretos, que podem evoluir sem o indivíduo se dar conta. Ainda assim, o oncologista Diogo Sales, do Hospital Jayme da Fonte dá orientações sobre os primeiros sintomas“A mudança de um sinal já existente – quando aumenta, muda de cor, muda de formato, começa a coçar ou sangrar – é um alerta. O aparecimento de uma nova lesão diferente das outras também merece atenção. Outra situação é uma ferida que não cicatriza em três a quatro semanas, formando casquinha e podendo sangrar”, explica.

A importância do diagnóstico precoce

O diagnóstico do câncer de pele em estágios iniciais é fundamental para evitar tratamentos agressivos e obter a cura. Por isso, o autoexame é importante, para detectar mudanças em pintas ou sinais, assim como feridas que não cicatrizam.

Diogo Sales explica o método ABCDE, que reúne sinais importantes a serem observados. São eles:

  • A de assimetria, quando uma metade do sinal não é igual à outra;
  • B de bordas irregulares e recortadas;
  • C de cor, quando há mudança ao longo do tempo;
  • D de diâmetro, geralmente maior que cinco milímetros;
  • E de evolução, que é quando o sinal muda, escurece, dói ou sangra.

“Mesmo que o câncer de pele possa ser silencioso em alguns casos, é fundamental prestar atenção principalmente na evolução da lesão”, ressalta ainda.

Primeiros passos e tratamento

Passadas as identificações iniciais, é necessário buscar orientação médica e avaliações clínicas. “O dermatologista faz o exame físico e a dermatoscopia, que é a avaliação com lupa e luz, ajudando a diferenciar lesões benignas das malignas. Havendo suspeita de câncer, a biópsia é o exame fundamental. Em casos selecionados, especialmente no melanoma, podem ser utilizados exames complementares de imagem, como ultrassom, tomografia, entre outros”, orienta o oncologista.

Após isso, o tratamento varia de acordo com o tipo de câncer de pele, do tamanho, da profundidade da lesão e também se houve metástase. Diogo Sales afirma que o tratamento acontece de forma interdisciplinar, que pode envolver cirurgia, imunoterapia, quimioterapia e, em situações específicas, radioterapia.

O futuro do câncer de pele

Ainda de acordo com o INCA, o Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer até 2028, com projeção de 263 mil deles sendo de pele não melanoma. Essa estimativa destaca a importância de prevenir a doença com cuidados simples no dia a dia.

A principal medida de prevenção é evitar a exposição solar excessiva. O uso diário do protetor solar, com reaplicação, especialmente em atividades ao ar livre ou na praia, é fundamental. Barreiras físicas, como camisa com proteção ultravioleta, chapéu e óculos escuros, também ajudam. A proteção deve começar desde a infância, porque a exposição solar é cumulativa ao longo da vida“, complementa o oncologista.

Exame de sangue pode identificar Parkinson até 20 anos antes dos sinais

Exame de sangue pode identificar Parkinson até 20 anos antes dos sinais

Um novo estudo conjunto da Universidade de Tecnologia de Chalmers, na Suécia, e do Hospital Universitário de Oslo, na Noruega, identificou um conjunto de biomarcadores que pode permitir a detecção da doença de Parkinson décadas antes do surgimento dos primeiros sintomas. A pesquisa aponta para a possibilidade de um exame de sangue capaz de identificar sinais da doença até 20 anos antes das manifestações clínicas.

Os pesquisadores encontraram padrões específicos em pessoas já diagnosticadas com Parkinson que não aparecem em indivíduos saudáveis. Esses biomarcadores podem ajudar no diagnóstico precoce e ampliar as chances de prevenir danos mais graves ou retardar ao máximo a progressão da doença.

Segundo Annikka Polster, uma das responsáveis pelo estudo, o fato de esses padrões surgirem apenas em estágios iniciais e deixarem de ser ativados quando a doença já está avançada torna relevante o foco nesses mecanismos para o desenvolvimento de tratamentos futuros. A declaração foi reproduzida pela Fox News.

De acordo com a pesquisadora, os resultados refletem fases iniciais da biologia da doença e abrem caminho para exames de triagem mais amplos a partir de amostras de sangue, um método considerado acessível e de baixo custo. Os achados foram publicados na revista científica npj Parkinson’s Disease.

O estudo também indica que as pesquisas devem avançar para compreender melhor o funcionamento desses biomarcadores. A expectativa é que a análise dos mecanismos em tempo real ajude a identificar formas de interromper o processo da doença e apontar medicamentos potencialmente eficazes.

Apesar do potencial, os cientistas destacam limitações. A atividade genética representa apenas uma parte do que ocorre no cérebro, e o uso de determinados medicamentos pode interferir nos resultados obtidos, segundo a Fox News.

Sinais de alerta precoces do Parkinson

A doença de Parkinson é causada pela redução de uma substância que atua como mensageiro químico no cérebro, responsável pelo controle dos movimentos, conforme explica o site da rede de saúde CUF.

Em entrevista ao site Health, o neurologista Earl R. Dorsey listou alguns sintomas iniciais da doença. Entre eles está a perda do olfato, comum em grande parte dos pacientes ao longo do desenvolvimento do Parkinson.

A constipação intestinal também é um sinal frequente, assim como tremores, que podem afetar não apenas as mãos, mas também a região abdominal e o tórax. Distúrbios do sono, dificuldade para dormir e interrupções frequentes durante a noite são outros sintomas que merecem atenção.

Mudanças na caligrafia, lentidão de movimentos e alterações na fala também podem ocorrer, tornando a voz mais rouca ou arrastada. Além disso, a ansiedade pode ser um indicativo precoce da doença, resultado de alterações químicas no cérebro associadas ao Parkinson.

Depressão e ansiedade aumentam riscos de desenvolver doenças cardíacas

Depressão e ansiedade aumentam riscos de desenvolver doenças cardíacas

Apesar de muitas vezes serem tratados de forma individualizada, os transtornos mentais representam um sinal de alerta para diversos outros problemas de saúde. Depressão, ansiedade e estresse, por exemplo, estão diretamente ligados à uma incidência maior de doenças cardiovasculares, como infarto, AVC e hipertensão.

É o que atesta, por exemplo, o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil). Segundo o ELSA-BRASIL, pessoas com depressão e ansiedade têm até três vezes mais risco de desenvolver doenças cardíacas do que aquelas sem esses transtornos. Essa afirmação se agrava em um cenário global que ainda se recupera das cicatrizes da pandemia de covid-19, que segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), aumentou em 25% os casos de distúrbios psicológicos.

“A saúde do coração está intimamente ligada à saúde da mente”, afirma a Dra. Cristina Milagre, cardiologista e médica do esporte do Hcor. “Os distúrbios mentais aumentam os níveis de estresse e a liberação de hormônios como o cortisol, que podem causar inflamação crônica, elevação da pressão arterial, desregulação metabólica e até alteração no ritmo cardíaco. Além disso, pessoas em sofrimento psíquico tendem a ter mais dificuldade para manter hábitos saudáveis, como praticar atividades físicas e seguir uma alimentação equilibrada”, explica.

No Brasil, estima-se que mais de 18 milhões de pessoas convivam com transtornos de ansiedade, e cerca de 12 milhões com depressão. Por ano, o país registra mais de 380 mil infartos por ano, com aproximadamente 100 mil mortes.

Os distúrbios mentais podem, muitas vezes, manifestar-se de forma silenciosa. Por isso, não devem ser ignorados quaisquer tipos de sintomas – quanto antes o diagnóstico acontecer, mais fácil será encontrar o tratamento mais apropriado.

Segundo Silvia Cury, Gerente de Saúde Mental do Hcor, a prevenção contra transtornos mentais gira em torno de três eixos: a busca por apoio psicológico, manter uma rotina de cuidados com o corpo, com boa alimentação e prática regular de exercícios e manter um canal aberto de diálogo com o seu médico de confiança.

“Cuidar da saúde mental não é apenas uma questão emocional. É uma estratégia concreta de prevenção de doenças físicas, especialmente as cardiovasculares, que ainda são a principal causa de morte no Brasil e no mundo”, destaca Silvia.

Controle de hipertensão e outros quatro fatores prolonga vida em até 14 anos, aponta estudo

Controle de hipertensão e outros quatro fatores prolonga vida em até 14 anos, aponta estudo

O controle da hipertensão arterial, hiperlipidemia (conhecida como colesterol alto), diabetes, obesidade ou sobrepeso e tabagismo prolonga a vida em até 14 anos, de acordo com um estudo publicado no The New England Journal of Medicine. Segundo os pesquisadores, a ausência desses indicadores é associada a 13,3 anos a mais de tempo livre de doenças cardiovasculares para mulheres e 10,6 para homens.

Os cinco fatores controláveis apontados pelo estudo são responsáveis por aproximadamente 50% do risco global de doenças cardiovasculares, comuns em pessoas acima de 50 anos. Caso hábitos que combatam o desenvolvimento dessas condições sejam tomados na meia idade -a partir dos 40 anos-, o tempo vital pode ser aumentado em até 14,5 anos para mulheres e 11,8 anos para homens.

Os resultados mostram que a mudança comportamental entre os 55 e 60 anos gera o maior benefício. Controlar a hipertensão nessa faixa dá o maior aumento de período sem doenças cardiovasculares, e deixar de fumar prorroga a morte por mais anos. A ausência de diabetes indicou uma diferença de 6,4 anos para mulheres e 5,8 para homens, bem como não fumar impacta 5,6 anos para mulheres e 5,1 para homens.

Os cientistas, liderados pela Universidade de Hamburgo, coletaram dados de mais de 2 milhões de participantes em 39 países de seis continentes. “A diversidade de contextos e culturas é fundamental pois reflete risco mais realista e abrangente. Isso significa que os dados representam diferentes grupos e realidades”, explica a professora de medicina da UPF (Universidade de Passo Fundo) e uma das autoras do artigo, Karen Oppermann. “Essa heterogeneidade confere ao estudo força e precisão muito maiores, tornando os resultados especialmente relevantes para compreender o impacto dos fatores de risco no mundo real.”

Dentre os pacientes, estão 350 mulheres na menopausa de Passo Fundo e 1,7 mil pessoas monitoradas pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Estas concederam informações para o EpiFloripa (Condições de Saúde de Adultos e Idosos de Florianópolis).

Os resultados são sobre saúde populacional. Se há mudança comportamental em algum indivíduo, não quer dizer que viverá exatamente mais 14 anos -pode ser mais ou pode até ter um infarto sem nenhum dos cinco critérios de risco.

A professora do Departamento de Saúde Pública da UFSC Eleonora d’Orsi, uma das autoras do artigo, diz que o Estado deve atuar para mitigar os fatores. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde.

“Todos os fatores têm políticas públicas implementadas e funcionando pelo SUS. Acho que não tem outro país com essas políticas de forma tão sistematizadas, mesmo o Canadá e a Inglaterra, que têm sistema público de saúde”, diz.

Ela cita o combate brasileiro ao fumo como exemplo. “O Brasil tem a política pública de redução de tabagismo mais bem-sucedida.” Ademais, há protocolos para o combate à hipertensão que incluem, inclusive, mudanças de comportamento e dietas e “afetam outros fatores de risco, como, por exemplo, a obesidade e diabetes”. A presença de academias de rua e educadores físicos também é importante, argumenta.

“São iniciativas simples, mas que exigem profissionais capacitados e engajados nessa grande missão de reduzir o risco cardiovascular -a principal causa de mortalidade entre homens e mulheres”, diz Oppermann.

E fatores socioeconômicos estão ligados ao desenvolvimento das enfermidades. Isso porque a população mais pobre tende a, por exemplo, consumir mais alimentos ultraprocessados, de acordo com estudo de 2022 da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

O consumo desses produtos está associado ao risco de contrair quatro dos fatores, conforme diversas pesquisas apontaram nos últimos anos.

“Muitos estudos mostram que desigualdades sociais -como renda, qualidade de moradia, trabalho, transporte e acesso à saúde e serviços- têm impacto muito grande na prevalência de fatores de risco.”

Mesmo assim, d’Orsi fala que os resultados inspiram esperança porque significam que quem abandona maus-hábitos após os 50 anos ainda tem chance de recuperar anos de vida.

Para o tabagismo a regra é clara: não fumar. Inexiste quantidade segura de cigarros, mostra estudo do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos publicado em 2017 no periódico Jama International Medicine. Mesmo quem fuma uma vez ao dia -ou menos- tem chances de morte prematura. Além das doenças cardiovasculares, as substâncias encontradas no cigarro impulsionam outras enfermidades, como o câncer de pulmão, enfisema etc.

A professora do Departamento de Fisiologia da UFSC Jamaira Victorio, que não fez parte do estudo, diz que a amplitude de dados pode impactar a exatidão dos resultados, inclusive pela desigualdade de informações advindas de diversas regiões, fazendo com que faltem informações. Faz parte, ainda mais quando a investigação é a nível global. “É interessante que o trabalho reúna todas as informações utilizando modelagens estatísticas para comparar dados.”

De todo modo, considera que o resultado é “sensacional” e diz que, para além da mudança de hábito a partir dos 50 anos, as descobertas deveriam ser utilizadas pelo Estado e por pais com o objetivo de preparar jovens para o envelhecimento.

Opperman, da UPF, conta que o projeto avançará para nova fase, que incluirá novas variáveis.

O hábito comum de usar o celular no banheiro pode causar problemas sérios na sua saúde

O hábito comum de usar o celular no banheiro pode causar problemas sérios na sua saúde

Levar o celular para o banheiro tornou-se uma prática comum no cotidiano moderno. Seja por motivos de entretenimento ou aproveitamento do tempo livre, muitas pessoas têm adotado esse hábito, mas ele pode estar associado ao agravamento das hemorroidas, uma condição frequentemente ignorada e que pode atingir diferentes perfis de pessoas.

Como o uso de celular no banheiro pode impactar na saúde?

O uso prolongado do celular no banheiro faz com que muitas pessoas permaneçam sentadas no vaso sanitário por mais tempo do que o necessário, aumentando a pressão na região anal e agravando o risco e os sintomas das hemorroidas.

Essa permanência excessiva pode passar despercebida devido à distração digital, tornando o problema recorrente. Assim, longos períodos nessa posição contribuem para desconfortos como dor, coceira e sangramento relatados pelo Ministério da Saúde.

Como evitar o agravamento das hemorroidas?

Algumas mudanças simples nos hábitos diários podem ajudar a evitar crises de hemorroidas e reduzir seus sintomas, especialmente se aliadas ao acompanhamento médico nos casos mais graves como sangramento ou dor intensa. Práticas saudáveis são fundamentais para manter a saúde intestinal e minimizar riscos.

Confira a seguir orientações do Ministério da Saúde que promovem tanto a prevenção quanto o controle das hemorroidas:

  • Consuma água regularmente para melhorar o trânsito intestinal;
  • Inclua fibras alimentares na rotina (frutas, legumes, grãos integrais);
  • Mantenha-se ativo com exercícios físicos para estimular a circulação;
  • Evite o uso do celular durante o tempo no banheiro.

Roer as unhas é mais perigoso do que parece

O nicofagia é o hábito compulsivo de roer as unhas. Somente nos Estados Unidos, acredita-se que até 30% das pessoas roam as unhas. O hábito geralmente começa na infância e é desencadeado por estresse, ansiedade, tédio ou até mesmo perfeccionismo. Embora pareça inofensivo, o costume pode levar a problemas físicos, como infecções, causar problemas dentários e danos às unhas, além de constrangimento social.

Clique na galeria para descobrir as causas e perigos do hábito de roer as unhas e uma variedade de estratégias que podem ajudar você a acabar de vez com esse hábito.

Infecções por Aedes aegypti elevam risco de complicações no parto

Rio de Janeiro (RJ) 13/04/2024 - Epidemia de dengue no Brasil é o tema do Caminhos da Reportagem deste domingo
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Doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya, chamadas arboviroses, representam uma preocupação crescente para a saúde materno-infantil no Brasil.

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – publicado recentemente sobre saúde pública na revista Nature Communications – analisou mais de 6,9 milhões de nascidos vivos no país entre 2015 e 2020. Ele revelou que a infecção por esses vírus durante a gravidez está associada a maiores riscos de complicações no parto e para os recém-nascidos, incluindo parto prematuro, baixo peso ao nascer e até morte neonatal.

A pesquisa – conduzida por cientistas do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Fiocruz Bahia) – indica que a infecção por arboviroses durante a gestação elevou o risco de parto prematuro, baixo escore de Apgar (avaliação rápida realizada após o nascimento para verificar a adaptação à vida fora do útero) e óbito neonatal. 

Anomalias

A dengue, além de estar ligada ao parto antes do tempo e ao baixo peso, também mostrou associação com alterações estruturais e funcionais no desenvolvimento do feto, chamadas de anomalias congênitas.

No caso da zika, os efeitos adversos foram ainda mais amplos, com destaque para a má-formação congênita, cujo risco foi mais que duplicado entre bebês de mães infectadas. 

O pesquisador Thiago Cerqueira-Silva avaliou, no entanto, que os padrões de risco variam entre o vírus e o período da infecção.

Risco de morte

“O estudo fornece evidências robustas e detalhadas que desmistificam a ideia de que apenas a zika é uma grande ameaça na gravidez. Demonstramos que a chikungunya e a dengue também têm consequências graves, como o aumento do risco de morte neonatal e anomalias congênitas. Essa informação é crucial para direcionar a atenção clínica e de saúde pública”, explicou.

O pesquisador esclareceu que o estudo traz novas evidências sobre os impactos das infecções por arbovírus na gestação, indicando períodos de maior vulnerabilidade em cada trimestre. A variação do risco sugere que diferentes mecanismos biológicos atuam em cada fase, o que reforça a importância da vigilância e da prevenção ao longo de toda a gravidez.

Prevenção

Para Thiago, os resultados do estudo deixam claro que é preciso fortalecer as medidas de prevenção durante a gestação. Isso não apenas protege a saúde das mães, mas também ajuda a evitar consequências que podem marcar a vida dessas crianças por muitos anos.

Em comunidades vulnerabilizadas, a maior exposição ao mosquito transmissor aumenta o risco de infecção e os efeitos durante a gravidez tendem a ser mais severos. Além disso, o peso financeiro no cuidado de crianças com anomalias congênitas ou complicações neonatais recai de forma desigual sobre famílias com baixa renda.

Diante desse cenário, o pesquisador defende a urgência de ampliar a cobertura vacinal contra dengue, e adicionar a vacinação contra chikungunya na política nacional de imunização.

Deve-se “garantir que as vacinas existentes (dengue e chikungunya) sejam oferecidas gratuitamente e com ampla cobertura, independentemente de sua condição socioeconômica. Além disso, campanhas educacionais informando sobre os riscos associados à dengue e à chikungunya durante a gestação são necessárias, uma vez que atualmente apenas os impactos negativos da zika são bem difundidos”, finalizou.